domingo, 31 de julho de 2011

ILEGALIDADES NA COMPRA E VENDA DE IMÓVEIS NOVOS NA PLANTA


O mercado brasileiro vem observando o crescimento expressivo dos números e negócios imobiliários. O mercado vem batendo seguidos recordes diante dos avanços institucionais recentes que garantiram um ambiente de maior segurança ao investidor, combinado ao crescimento da renda das famílias.

O aumento é tão expressivo que o crédito imobiliário saltou de pouco mais de R$ 5 bilhões em 2002 para R$ 57 bilhões em 2009, números que foram superados em 2010.

Com isso, as construtoras e incorporadoras vem praticando inúmeras ilegalidades, valendo-se da vantagem econômica e técnica que possuem frente aos consumidores, para baterem suas metas e acumularem lucros recordes.

Uma das mais comuns e infelizes ilegalidades constantes dos contratos parecem estar com os dias contados. O prazo para entrega do imóvel novo, que praticamente nunca é respeitado, vem seguido de uma cláusula unilateral da possibilidade de prorrogação por até 180 dias. Prática comum nas escrituras, esta cláusula pode ser afastada por sua abusividade e patente nulidade, diante da proteção exercida pelo Código de Defesa do Consumidor.

Por outro lado, ainda que não obedeçam ao prazo estabelecido, raramente (ou quase nunca) há estipulação de multa pelo atraso na entrega em favor do consumidor comprador, havendo previsão contratual apenas de multa em favor da construtora vendedora para o caso de atraso no pagamento de qualquer parcela. Este ponto vem sendo observado pelos Tribunais que estabelecem a multa, por equidade, em favor do consumidor para o caso de atraso, além de fixação de juros, como bem preceitua o Código Civil quando trata do inadimplemento das obrigações.

Estas situações ensejam o questionamento judicial dos contratos, muitas vezes facultando aos consumidores a rescisão do negócio por culpa da construtora, como em recente caso envolvendo um dos mais nobres empreendimentos no Rio de Janeiro (http://www.conjur.com.br/2010-mai-29/cyrela-indenizar-compradores-nao-entregar-imovel-prazo).

Por seu turno, numa derradeira demonstração de força das construtoras e fraqueza dos consumidores, aquelas contratam serviços de corretagem, escolhem a empresa ou corretores, fixam os percentuais de remuneração, mas empurram para o consumidor a obrigação de custear este serviço prestado à própria construtora para divulgação do seu produto e prospecção de clientes. De fato, o custo da corretagem pode ser ajustado entre as partes, mas o silencio jamais pode denotar que o consumidor anuiu com esta imposição. Até porque, via de regra, no momento da contratação o comprador comparece num stand de vendas do lançamento imobiliário, é recebido num apartamento modelo com um gelado espumante e gentilezas que tornam aquele sonho presente. Depois de tocarem naquele sonho, decididos a comprar o imóvel, os consumidores sentam à mesa com um representante da vendedora que indica o preenchimento de uma meia dúzia de cheques, dando um recibo daquele sinal de venda. Após festejos, parabenizações e sensação de aquisição de um sonho, passada a euforia inicial, o consumidor constata que pagou pela corretagem daquele negócio, uma prestação de serviços contratada pela e para a construtora, nem mesmo tendo opção de escolha. É o conhecido pacote fechado, não restando ao consumidor qualquer liberdade para contratar ou não.

Se por um lado há a clara ilegalidade na imposição do custeio daquele serviço contratado pela construtora, com bases, prazos, valores, condições negociados exclusivamente por ela, por outro há quem diga que o consumidor assumiu aquele “serviço”, com o que data vênia não há como concordar. Até porque as construtoras ao contratarem a corretagem e imputá-la a pagamento pelo consumidor, exonera-se da tributação que teria sobre seu faturamento, sem contar com o enxugamento de sua folha de pagamentos, uma vez que não precisa mais de sua força de vendas, utilizando-se de uma disfarçada terceirização, que é diretamente paga pelos consumidores.

Por seu turno, não só o Código de Defesa do Consumidor protege os compradores desta abusividade e ilegalidade, como também o Código Civil estabelece pelo princípio da atração das formas que todos os negócios acessórios ao principal devem revestir das mesmas formalidades. Desta forma, o contrato de corretagem, ainda que se entenda válido, para que pudesse se imposto ou assumido pelo consumidor, teria que constar da escritura pública de promessa e/ou compra e venda. E assim, minimamente por não revestir desta formalidade, trata-se de um negócio nulo, sem qualquer amparo legal.

Não bastasse, o próprio Código de Defesa do Consumidor traz garantias suficientes para afastar esta cobrança dos consumidores que, uma vez tenham suportado tais encargos, tem a faculdade de postular na justiça seus direitos, para declarar a ilegalidade desta cobrança e fazer incidir a norma protetiva do parágrafo único do artigo 42, que determina a devolução em dobro da quantia cobrada indevidamente, acrescido de correção monetária e juros legais, como vem assegurando as decisões mais recentes dos Tribunais.

Autor: Alexandre Carneiro de Freitas
alexandrecfreitas@globo.comhttp://potenciaimobiliaria.negociol.com/

ANÁLISE DAS CONDIÇÕES DE FINANCIAMENTO DEVE ANTECEDER BUSCA DO IMÓVEL


Em tempos de boom do crédito habitacional, corretores relatam que é comum atender clientes que visitam imóveis acima do seu poder de compra porque não têm a real noção de quanto podem conseguir de financiamento.

Além do valor poupado para a entrada, é preciso levar em conta quanto o trabalhador vai poder dispor do salário para o pagamento das prestações, análise que muda de acordo com o banco.

"Há muita gente que não consegue financiamento porque já tem a renda comprometida com a parcela do carro, a escola dos filhos, o plano de saúde", afirma José Augusto Viana Neto, presidente do Creci-SP (Conselho Regional de Corretores de Imóveis do Estado de São Paulo).

"As pessoas estão sempre procurando um pouco acima do seu potencial. E depois vem a pechincha, a contraproposta."

Pesquisar a taxa de juros é apenas uma das "missões" do futuro mutuário, já que a prestação é composta de outros itens, como seguros de morte e invalidez do tomador do empréstimo e do imóvel e a tarifa de administração do contrato, que fazem o CET (Custo Efetivo Total) do financiamento variar caso a caso.

"Por isso, é recomendável fazer simulações para verificar a instituição financeira que oferece as melhores condições", afirma José Pereira Gonçalves, especialista em mercado imobiliário (veja exemplos abaixo). "O desconhecimento se deve ao fato de a transação imobiliária ser muito rara."

Um erro comum, por exemplo, é confundir o dinheiro depositado na conta individual do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço), que o mutuário pode usar na compra de imóveis de até R$ 500 mil, e a linha de financiamento com recursos do fundo, que reúne as contas de todos os trabalhadores.

Nesse caso, as taxas de juros ""limitadas a 8,16% ao ano mais TR"" são menores do que as cobradas em empréstimos com recursos da poupança, mas a linha somente está disponível para moradias de até R$ 170 mil e para famílias com renda até R$ 4.900 ""valor que será elevado para R$ 5.400 em breve, após a publicação de portaria no "Diário Oficial da União".

Saber quanto custará a moradia ao fim do financiamento exige uma análise individual, mas, em um empréstimo com pagamento em 20 anos, com 20% de entrada, o mutuário pagará aproximadamente o dobro do valor do imóvel, diz Marcelo Prata, presidente da Canal do Crédito, corretora especializada em financiamentos do setor.

No entanto, ressalta, é importante lembrar que, nesse período, provavelmente haverá valorização do imóvel.

Apesar de os bancos oferecerem financiamentos com prazo de pagamento de até 30 anos, o período contratado tem chegado, na média, a duas décadas. E o mutuário paga em menos tempo: oito anos, de acordo com a Abecip (Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança).

GASTOS EXTRAS

Os mutuários devem reservar o equivalente a aproximadamente 5% do valor do imóvel para despesas extras. É o custo de realizar o sonho da casa própria sem percalços.
Antes de liberar o financiamento, os bancos cobram uma taxa para avaliar o imóvel (ativo que será a garantia em caso de inadimplência) e outra para fazer a análise jurídica de documentos.

Depois de efetivar o negócio, o mutuário ainda terá de arcar com o custo do registro no cartório e com o ITBI (Imposto sobre Transmissão de Bens Imóveis) recolhido à prefeitura.

"Quando a transação é feita com financiamento, os próprios agentes financeiros, de certa forma, acabam servindo de 'consultores', pois só concedem o crédito se não houver restrições na documentação", afirma Gonçalves.

Na aquisição da primeira moradia, há descontos nesses dois últimos itens, o que reduz o percentual para cerca de 4% do valor do imóvel, segundo cálculos de Prata.

Há bancos que incorporam essas despesas no valor financiado ""às vezes, a única forma de viabilizar o pagamento de gastos "inesperados".

O número de novos mutuários no mercado imobiliário cresce em ritmo acelerado. Entre junho de 2010 e maio de 2011 (dado mais recente divulgado), os financiamentos com recursos da poupança atingiram R$ 66,8 bilhões.

O montante representa crescimento de 59% na comparação com os 12 meses anteriores, de acordo com a Abecip. Em quantidade (465 mil unidades), a expansão foi de 32%.

Fonte: Jornal Floripa
 

quarta-feira, 27 de julho de 2011

8 razões para investir em imóveis no Brasil

O Brasil se tornou um dos países mais desejados para os estrangeiros que procuram adquirir uma segunda casa, para viver ou para servir de casa de campo, e também para as pessoas que querem investir em imóveis. Há muitas razões que fazem do Brasil um dos melhores países emergentes para investir em imóveis, agora, aqui estão elas:
1ª- Beleza natural e clima: o Brasil é conhecido internacionalmente por suas belezas naturais, praias, clima agradável, música e cultura.
2ª- Posse sólida e segura: o Brasil é um dos poucos países que permitem aos estrangeiros ter a posse de seu imóvel, assim como do terreno em que está contruido o mesmo.
3ª- Mercado imobiliário subdesenvolvido: Devido a anos contínuos de recessão e falta de poder de compra durante os anos 80 e 90.
4ª- Mercado de compradores: a quantidade de imóveis à venda supera em muito a quantidade de compradores potenciais existentes.
5ª- Inflação sob controle: o governo manteve a inflação controlada há décadas.
6ª- Déficit Habitacional e Crescimento Populacional: O Brasil tem um déficit habitacional de 7,2 milhões por unidade. Além disso, a cada ano a procura é maior por um valor estimado de cerca de 900 mil casas em todo o país, e por outro lado, apenas 270 mil casas foram construídas em 2005, por exemplo.
7ª- Menores taxas de juros: taxas de juro continuam a cair gradualmente. Diversos economistas acreditam que no final de 2007, o Brasil deveria ter se tornado um país ímã de investimento. Eles acreditam que as reformas fiscais constantes e a estabilidade econômica devam permitir que as taxas de juros brasileiras diminuam ainda mais significativamente, o que já pode ser confirmado. Fonte: Secretaria da Fazenda do Governo do Brasil (http://www.receita.fazenda.gov.br/Pagamentos/jrselic.htm). Isto primeiro mudaria o deslocamento de investimentos e ações bancárias, e criaria uma expansão no setor de empréstimos hipotecários, o qual é quase inexistente hoje. Com mais dinheiro para esta área de investimento, o ganho em termos de valor é inegável.
8ª- Investimento obrigatório em habitação: As principais fontes de financiamento hipotecário do Brasil incluem FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) e contas de poupança. Há uma atribuição obrigatória de uma parte de cada um destes fundos no setor da habitação pelo governo e pelos bancos privados. Além disso, os analistas esperam que as hipotecas de bancos comerciais aumentem entre 30 a 40%.
Concluindo, todos os indicadores mostram um enorme potencial e crescimento para este setor no Brasil e se você é um investidor ou apenas alguém que está procurando uma segunda casa, o Brasil é o lugar para procurar.

O mercado imobiliário em 2011

Um grupo de especialistas brasileiros em imóveis recentemente analisou o mercado imobiliário no Brasil e fez a pergunta vital: o que está reservado para a indústria em 2011? E seus resultados mostram que ambos os imóveis residenciais e comerciais estão diante de outro bom ano.
No relatório, produzido pelo departamento imobiliário da Universidade de São Paulo, os peritos concluíram que os investidores podem esperar que 2011 seja um ano ainda melhor que o ano passado em termos de demanda e preços. Estes especialistas no mercado imobiliário acham que o aumento da demanda e do preço será mais elevado entre as classes médias, e que os desenvolvedores devem priorizar o investimento no programa Minha Casa, Minha Vida.
Segundo os especialistas, a demanda por imóveis residenciais da classe alta, conhecida como Classe A, é prevista para permanecer estável. A demanda por casas da classe média, classes B e C, vai aumentar um pouco e a demanda das classes mais baixas, classe D e E, irá crescer significativamente.
Investimento em Habitação Social
Essa demanda crescente das classes médias brasileiras, principalmente da classe C, significa que os desenvolvedores devem concentrar o investimento em habitação social apoiado pelo programa do governo Minha Casa Minha Vida (MCMV). Este mercado já está crescendo e deverá crescer ainda mais devido o anúncio recente do governo de que os preços máximos estão elevados.
No entanto, o Departamento de Obras Públicas salienta que, mesmo com a habitação social, o velho ditado de “localização, localização, localização” é de vital importância. Estes especialistas aconselham que todo o desenvolvimento do programa MCMV ocorram em áreas desejáveis com transportes públicos, escolas, comodidade e locais de trabalho com fácil acesso. O local certo irá garantir que a demanda por imóveis do MCMV seja elevada.
Preços dos Imóveis
Os preços dos imóveis nunca são fáceis de se prever, mas os especialistas da Universidade de São Paulo acreditam que os preços mais altos podem ser esperados para este ano. Entre a classe A, eles esperam que os preços dos imóveis – como a demanda no setor social – permaneçam em níveis equiparados aos de 2010.
Nas classes médias – e mais uma vez como a procura de imóveis entre as classes B e C – eles prevêem um aumento significativo com preços consideravelmente mais elevados este ano.
Os preços dos imóveis são difíceis de se detectar porque não há índices de propriedade, mas todos os analistas de mercado têm observado aumentos de preços significativos. Estes têm sido particularmente forte nas maiores cidades do Brasil, embora os preços dos imóveis em muitas partes do país tiveram um aumento de pelo menos 10% no ano passado.
Localização para o Investimento
Para os especialistas no mercado imobiliário, a demanda por bens das classes média e baixa será consideravelmente maior em 2011, em várias partes do país. Estas incluem as duas maiores cidades, São Paulo e Rio de Janeiro, e em vários estados, como do norte e do nordeste.
No entanto, independentemente da sua localização, um fator é considerado no mercado imobiliário brasileiro, a demanda por bens é universal, particularmente entre as classes média e baixa. Especialistas no mercado imobiliário disseram: “você pode construir moradias para sempre e as pessoas vão querer isso”.

Programa Habitacional Minha Casa, Minha Vida

O projeto habitacional “Minha Casa, Minha Vida” está dando um enorme impulso para as empresas de construção civil.
O programa Minha Casa, Minha Vida foi introduzido para fornecer 400 mil casas para famílias de baixa renda e outros 600 mil imóveis para a classe média, e está conseguindo uma medida excelente de estímulo econômico para o país.
“Elas [as empresas de construção] ajustaram o número de projetos a fim de reduzir algumas exigências de capital de giro e ajustaram o número de novas unidades para a demanda que tinham naquela época”, disse o analista Victor Saulytis.
Ele acrescentou que tais empresas também aprenderam a gerenciar essas necessidades de capital de giro e acompanhar de perto sua dívida corporativa para adiar juros e demais taxas que estejam prestes a vencer.
A fonte da notícia também afirmou que se a euforia especulativa “que causou estragos nos Estados Unidos e Espanha” for resistida, então o setor imobiliário pode se tornar “mais um marco na evolução da economia nacional”.
Recentemente, foi afirmado que o projeto “Minha Casa, Minha Vida” deve ser considerado como um sucesso para impulsionar o mercado imobiliário.

USP divulga expectativas para mercado imobiliário em 2011


Mercado de shoppings centers aquecido em cidades pequenas, alto investimento em edifícios corporativos de alto padrão nas capitais, demanda por imóveis residenciais ainda maior que em 2010 e aumento de parcerias e joint-ventures são as expectativas do Comitê de Mercado do Núcleo de Real Estate da Poli-USP para o mercado imobiliário brasileiro em 2011.

O comitê, formado por professores e pesquisadores do NRE e profissionais de destaque do setor, reuniram-se no último bimestre de 2010 para debater oportunidades, desafios e riscos esperados nos segmentos de shopping centers, edifícios de escritórios e residencial, tomando como subsídio não só o comportamento do ano passado, mas também o que se pode vislumbrar sobre os impactos da economia mundial e da política econômica proposta ou evidenciada pelo novo governo.

A confiança na economia e a soma dos medos (renda de emprego no vetor mercado, taxa referencial de juros no lado do investimento e expectativa de inflação na vertente investimento para proteção de riqueza acumulada) foram reconhecidas pelo estudo como as principais âncoras do comportamento do mercado.

Shopping centers

No segmento de shopping centers, o comitê aponta tendência de aquecimento em pequenos centros urbanos do interior do País (até 200.000 habitantes), em razão do crescimento do poder de compras das classes de renda C, D e E.
De acordo com o relatório apresentado, essa demanda poderá ser atendida por meio da implantação de empreendimentos que exigirão montantes de investimento mais contidos do que nos grandes shoppings regionais implantados nas cidades de maior potencial de mercado no Brasil, agregados ao crescimento do segmento das franquias. A desconcentração de investimentos em projetos de menor escala (até 10.000 m² de ABL) pode permitir que um novo conjunto de empreendedores venha a se somar às grandes corporações atuantes no mercado brasileiro e até mesmo o advento de fundos imobiliários especializados.
Nos grandes centros, os especialistas destacam duas tendências:
a) um movimento contínuo de revitalização dos shopping centers existentes, em razão da multiplicidade de alternativas à disposição do consumidor e da competitividade crescente entre os diferentes empreendimentos;
b) a entrada no mercado brasileiro de novas marcas de expressão no exterior, com foco no poder de compra dos consumidores das faixas de renda mais altas.

Edifícios de escritórios

O Comitê de Mercado do Núcleo de Real Estate da Poli-USP vê o desempenho do investimento em edifícios de escritórios corporativos de alto padrão com otimismo, particularmente para implantação nas cidades de São Paulo e do Rio de Janeiro, mas também nas principais capitais brasileiras, uma vez que a demanda permanece comandando os movimentos do mercado, evidenciando-se que há necessidade de espaços novos para as maiores corporações atuando no mercado brasileiro.
Apesar de reconhecerem que a simples busca por espaços de melhor qualidade seja um fator gerador de demanda, os especialistas consideram, no entanto, que a alta verificada nos preços de locação de escritórios de alto padrão coloca um ponto de dúvida sobre o potencial de ocupação de novos espaços corporativos AAA: custos elevados podem levar empresas a buscar espaços fora dos grandes centros, para instalar unidades de serviços de suporte, para as quais não tenham a necessidade de acentuar a imagem da corporação junto ao mercado.
Em relação aos preços de venda e de locação de espaços corporativos, os especialistas apontam tendência de manutenção nos escritórios de padrão médio e, para escritórios partilhados em pequenas unidades, destinados ao atendimento da demanda de técnicos e profissionais liberais que atuam isoladamente ou mesmo em pequenos grupos, esperam ligeira baixa nos preços de venda e manutenção dos preços de locação.

Segmento residencial

Para o mercado residencial, o comitê espera que a demanda em 2011 seja maior que em 2010, especialmente nos segmentos de média e baixa renda. O comitê aposta que as empresas de real estate deverão se concentrar no atendimento tanto do crescimento orgânico dos atuais mercados, como do Programa “Minha Casa, Minha Vida”.

Estratégias de atuação e captação de recursos

Os membros do Comitê de Mercado acreditam que as empresas do setor utilizarão parcerias locais e joint-ventures como estratégias de atuação nas regiões geográficas distintas das suas matrizes com maior intensidade, ao mesmo tempo que a instalação de unidades operacionais próprias fora dos escritórios centrais parece uma tendência a ser abandonada, com exclusão dos grandes centros de São Paulo e Rio de Janeiro, eventualmente Brasília.
Como forma de captação de recursos para investimento, os especialistas acreditam que as empresas irão recorrer mais ao endividamento do que à captação no mercado de capitais e que os novos recursos financeiros estarão mais concentrados em grandes empresas e menos dispersos entre empresas médias.
Segundo o comitê, para 2011, não há preocupação quanto à disponibilidade de crédito imobiliário em volume suficiente para atendimento da produção e comercialização de imóveis residenciais, usando os mecanismos do SFH, com uma crescente influencia das operações estruturadas, em volume relativo ainda pequeno.
Por outro lado, há forte preocupação quanto à mão de obra de construção, cujo déficit de pessoal qualificado poderá acarretar acréscimo de custos e pressionar para cima o nível do risco dos investidores.
O relatório produzido pelos membros do comitê enfatiza que as empresas brasileiras planejam suas estratégias de atuação sem o apoio de indicadores adequados e confiáveis sobre a demanda habitacional nas diferentes regiões do País e nos diferentes segmentos do mercado. O efeito dessa falta de informação é indutor de desequilíbrios entre oferta e demanda. O mesmo ocorre com informações sobre velocidade de vendas, que, extraídas somente em alguns mercados por meio de indicadores que não retratam a intensidade da oferta, mas somente a relação entre venda e oferta, pode induzir decisões inadequadas.
São membros do Comitê de Mercado do NRE-Poli: Alessandro Olzon Vedrossi; Alex Kenya Abiko; Carlos Terepins; Cláudio Bruni; Claudio Tavares de Alencar; Daniel Citron; Eliane Monetti; Eric Cozza; Fernando Bontorim Amato; João da Rocha Lima Jr.; José Romeu Ferraz Neto; Marcelo Vespoli Takaoka; Mario Rocha Neto; Pedro Cortez; Roberto Aflalo Filho; Roberto Sampaio; Sergio Alfredo Rosa da Silva; e Walter Luiz Teixeira.

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Sobe de 75 anos para 80 anos e seis meses o limite de idade para ter um financiamento da casa própria

Sobe  de 75 anos para 80 anos e seis meses o limite de idade para ter um financiamento da casa própria
por Luciana Calaza | Fonte: O Globo

Todas as seguradoras vão ter que ofertar o prazo mínimo de 80 anos e 6 meses (Foto: Divulgação)
Quanto mais velho for o mutuário, mais ele vai ganhar com as mudanças no prazo máximo de financiamento da casa própria que acabam de ser feitas por bancos como Bradesco, Itaú Unibanco e Banco do Brasil. Os agentes financeiros fizeram ajustes nos prazos após a entrada em vigor, mês passado, de novas regras para o seguro imobiliário. Na maioria dos agentes financeiros, até agora, o somatório da idade do mutuário com o prazo do empréstimo habitacional não ultrapassava 75 anos. Isso porque esse era o prazo de cobertura praxe no mercado, segundo a maioria das seguradoras. Mas, de acordo com a resolução CNSP nº 205, da Superintendência de Seguros Privados (Susep), as empresas não podem recusar cobertura de seguro a clientes cuja idade, somada ao prazo de financiamento, seja de até 80 anos e seis meses. Além disso, passa a ser obrigatório que o contrato de seguro tenha o mesmo prazo de vigência do empréstimo.
“A maioria das seguradoras trabalhava com prazo de 75 anos, mas isso variava, não havia regras. E agora isso se uniformizou. Todas as seguradoras vão ter que ofertar o prazo mínimo de 80 anos e 6 meses. Houve uma conjugação de fatores para essa mudança, que inclui o aumento da expectativa de vida e uma política de fomento ao financiamento habitacional”, explica Armando Grasso, presidente da comissão técnica de Seguro Habitacional da Federação Nacional de Seguros Gerais (Fenseg), lembrando que o que não mudou foi uma norma do mercado: quanto mais alta a idade do proponente à tomada de crédito, mais altas são as taxas do seguro.
No Bradesco e no Itaú Unibanco, o somatório da idade do mutuário mais o prazo do empréstimo seguia o padrão de 75 anos. Agora, esse período subiu para 80 anos e seis meses. Isso significa que um mutuário com 60 anos, que só conseguia financiar um imóvel por 15 anos nos dois bancos, agora poderá se beneficiar de um prazo de até 20 anos e seis meses. Quem tem 50 anos, pode chegar ao prazo máximo de 30 anos para pagamento.
“Nos últimos anos, o setor já vinha aumentando os prazos das operações, de 15, pra 20, 25, e hoje chega a 30 anos. E agora uma pessoa com 50 anos pode usufruir desse prazo de 30 anos. Tudo isso está sendo muito favorável ao crédito imobiliário”, afirma Osmar Roncolato Pinho, diretor do departamento de Empréstimos e Financiamentos do Bradesco.
O Banco do Brasil também alterou o prazo, mas só em seis meses, já que o anterior era de 79 anos, 11 meses e 29 dias, e passou para 80 anos, cinco meses e 29 dias. O HSBC não fez alteração e mantém os 75 anos. A assessoria de imprensa do banco informou, no entanto, que a política de prazo de financiamento habitacional em virtude das mudanças nas regras de seguro ainda não foi atualizada. Essa alteração depende somente de negociações com a área, em andamento. A Caixa Econômica Federal, o Santander e o Real já operavam com prazo de 80 anos e seis meses antes mesmo das mudanças nas regras do seguro e por isso não fizeram alterações.